Protestantismo no Brasil (EETAD)

A Igreja no Brasil
O primeiro culto evangélico celebrado no Brasil, realizou-se no dia 10 de Março de 1557, na Ilha de Villagaignon, no Rio de Janeiro. Foi dirigido pelo pastor Pierre Richier, um dos três primeiros pastores a chegarem ao nosso continente, quando da vinda ao Brasil de um grupo de crentes franceses, acossados pelas perseguições religiosas na Europa. Mais tarde, em 1624, os crentes da frota holandesa, na Bahia, iniciaram os cultos. Depois, em 14 de Fevereiro de 1630, teve início uma série de cultos no Recife, durante a ocupação holandesa. Estes dois últimos casos estavam ligados à Igreja Reformada Holandesa. Os primeiros cultos em caráter definitivo, no território brasileiro, foram realizados pela Igreja Anglicana do Rio de Janeiro, desde 1810, para os membros da colônia britânica, constituída de diplomatas, comerciantes e suas famílias.

Representação da primeira ceia evangélica no Brasil realizada pelos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier / Fonte: Guiame.com.br

No dia 19 de Agosto de 1835, chegava ao Rio de Janeiro o Rev. Fontain E. Pits, que viera sondar a possibilidade de estabelecer a Igreja Metodista em terras brasileiras. Contudo, esse fato foi reservado ao Rev. R. Justin Spaulding, que deu início à organização de uma congregação, com quatro membros da colônia americana residente no Rio.

Com um culto realizado a 27 de Julho de 1845 a Igreja Luterana dava início às suas atividades no Brasil. Em 19 de Agosto de 1855, em Petrópolis, o Sr. Robert Kalley, fundou a Escola Dominical, dando assim origem à Igreja Congregacional. No dia 12 de Janeiro de 1862, no Rio de Janeiro, o Rev. Ashbel Green Simonton, fundou a Igreja Presbiteriana. No ano de 1881 chegaram ao Brasil os primeiros missionários batistas, William Bagby e Z. C. Taylor. No ano seguinte, isto é, a 15 de Outubro de 1882, fundaram eles a Igreja Batista em Salvador, na Bahia. Com o número de dezoito irmãos provenientes da Igreja Batista de Belém, sob a liderança de Gunnar Vingren e Daniel Berg, no dia 18 de Junho de 1911, na cidade de Belém do Pará, foi fundada a Igreja Assembleia de Deus no Brasil.

O avanço do Protestantismo na América Latina nada tem a ver com conquistas políticas, pois desde o princípio os sistemas políticos dessa região do mundo, sempre se opuseram à expansão do Evangelho. As tentativas feitas pelos huguenotes franceses, na década de 1550, visando estabelecer-se no Brasil, longe das perseguições, foram repelidas pelas autoridades portuguesas com o aval da Igreja Romana. Os holandeses, que haviam controlado o nordeste brasileiro por mais de trinta anos, e nesse tempo estabeleceram um expressivo trabalho evangélico, também foram expulsos em 1661. Não obstante a oposição sofrida, pelos fins do século XVIII, a causa protestante começava a ganhar espaço. As sociedades missionárias congregacionais e metodistas começaram a operar nessa área, e nas Guianas, no começo do século XIX, quando os ingleses e holandeses controlavam esta última região.

Lutas pela Liberdade Religiosa
À medida que os países dominados pela Espanha e Portugal ganhavam sua independência, muitas leis discriminatórias foram revisadas, e na constituição desses países a palavra proíbe começou a ser trocada por permite: “permite-se o exercício público de outras religiões”.

Mudadas as leis opressivas em leis favoráveis, as igrejas protestantes começaram a aumentar. Nas Guianas, que nunca haviam conhecido o domínio espanhol ou português, se achava o maior número de protestantes. Os moravianos, que ali haviam chegado em 1738, formavam um total de quase 9000 membros. Os metodistas anunciavam contar com mais de 4000 membros. Em 1900, as igrejas desses dois pequenos países constituíram quase cinquenta por cento dos membros das igrejas evangélicas da América do Sul. À sombra da inquisição, o clero romano com o aval de muitos governantes, infligia perseguições extremas aos evangélicos na América Latina, o que de certa forma aumentava o zelo dos crentes e a expansão das igrejas.

Depois de 1890, o Brasil reconheceu a “absoluta igualdade” entre as diferentes igrejas aqui existentes. Isso permitiu que centenas de igrejas fossem estabelecidas de imediato. Todavia, a igualdade diante da lei, frequentemente era desrespeitada pela Igreja Romana, que se contentava em levantar sucessivas ondas de perseguição às igrejas evangélicas do Brasil e de outros países latino-americanos.

É digno de nota que mesmo depois de 1900, países da América Latina como o Chile, Colômbia, Venezuela, Argentina, Peru, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia, só com grande relutância abriram as suas portas aos evangélicos, ao passo que as igrejas evangélicas do Brasil se multiplicavam de maneira surpreendente.

Chegam as Primeiras Bíblias
Coube às sociedades bíblicas americana e britânica a honra de fazer entrar na América Latina as primeiras Bíblias, no começo do século passado. A distribuição de Bíblias foi feita lentamente, até que surgiram bravos colportores, homens capazes e entusiastas que devotavam tempo integral no trabalho de venda e distribuição das Escrituras. Não poucos deles foram alvo de ataques, perseguições e prisões por parte de sacerdotes católicos. Alguns deles são lembrados hoje como apóstolos da causa da liberdade religiosa em seu país. Entre os quais se destacaram Penzotti, no Peru, e Tonelli, no Brasil. Não poucos desses homens sofreram o martírio como preço da nobre causa que abraçaram.

James Thomson
Um dos mais famosos colportores desse período de pioneirismo, foi James Thomson, cuja coragem e amor cristão o levou a percorrer toda a extensão da costa ocidental da América do Sul e atravessar a América Central, o México e a área do Caribe, levando uma Bíblia debaixo do braço. Thomson destacou-se não só como um colportor e educador cristão, mas também como um ardoroso evangelista. Suas cartas enviadas à Inglaterra, sua pátria, revelam seu interesse e hipotecam confiança no futuro das igrejas evangélicas da América Latina.

Contam-se nos relatos, que muitas igrejas foram estabelecidas mediante o testemunho exclusivo de algum leitor da Bíblia, que compartilhava com outros da realidade de sua descoberta da verdade divina lendo a Palavra de Deus. Muitos têm dito que o padrão era claro e simples: primeiro aparecia uma Bíblia, depois um convertido, e a seguir, uma igreja.

James Thomson, o homem quem encheu a América Latina da Palavra de Deus / Fonte: Comibam Internacional

F. C. Glass, um dos colportores pioneiros do Brasil, asseverou: “Em dezenas de lugares onde vendi os primeiros exemplares das Escrituras que o povo via pela primeira vez, existem fortes igrejas atualmente… Na maioria dos casos, quase invariavelmente, primeiramente aparecia a Bíblia e depois o pregador, excetuando aqueles casos em que o colportor era também o evangelista; noutros casos, a Bíblia e o pregador surgiam ao mesmo tempo. Não me lembro de uma única instância em que a Bíblia tenha surgido em segundo lugar. Falando por experiência pessoal, portanto, devo dizer que se alguém quiser abrir uma nova área, a primeira coisa a ser feita é enviar alguém munido de uma Bíblia“.

Dentre os primeiros fundadores de igrejas na América Latina, destaca-se o médico presbiteriano escocês, Robert Reid Kalley. Kalley tem sido chamado de “apóstolo da ilha da Madeira”, porque fundou muitas congregações evangélicas naquela ilha, e distribuiu três mil cópias da Bíblia, preparando o caminho para a criação de um ministério completo ali.

Robert Reid Kalley / Fonte: Hinologia.org

Expulso da ilha da Madeira por perseguição religiosa, Kalley veio para o Brasil, onde começou um eficiente trabalho missionário a partir de 1855. Não obstante perseguido também no Brasil, seu ministério produziu frutos maduros desde os primeiros momentos. Antes de retirar-se do Brasil, em 1876, Kalley havia implantado igrejas no Estado de Pernambuco, em Niterói, e no Rio de Janeiro. Foi Kalley quem, a 19 de Agosto de 1855, na cidade de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, organizou a primeira Escola Dominical no Brasil. O hinário intitulado “Salmos e Hinos”, que continua em uso em muitas igrejas de língua portuguesa, é uma espécie de homenagem ao Dr. Kalley, pois mais de cinquenta hinos ali contidos foram escritos por ele. Sobre Kalley, alguém escreveu: “O apóstolo da ilha da Madeira exerceu um apostolado de proporções mais vastas e em uma área muito maior do que os limites de uma diocese em uma ilha. As delimitações de sua província de testemunho cristão e de serviço evangélico não estavam determinadas pela geografia, mas obrigatoriamente coincidiram com aquelas áreas esparsas e longínquas onde o português era o idioma falado. Quão grande é a dívida a um homem pelo povo que partilha de uma língua comum“.

A Liberdade é Estabelecida
No começo deste século a liberdade de culto fora estabelecida na América Latina. Tornou-se possível o franco desenvolvimento das igrejas. Os primeiros dezesseis anos do século passado marcaram um novo tipo de crescimento para as jovens igrejas evangélicas. Foram anos de transferências de missionários estrangeiros para o interior do continente, enquanto que os trabalhos fundados eram passados às lideranças de valorosos obreiros nacionais.

Primórdios Pentecostais
As igrejas pentecostais de maior expressão da América Latina, tiveram um começo comum: os avivamentos que varreram regiões da América do Norte e da Europa.

A Igreja Assembleia de Deus, que forma hoje a maior denominação evangélica da América Latina, atribui as suas origens ao monumental reavivamento da rua Azuza, em 1906, na cidade de Los Angeles, da Califórnia. Gaxiola Lopes, escreve a história pentecostal do México, dizendo que essa igreja tem suas origens também no reavivamento da rua Azuza.

A Congregação Cristã no Brasil também deve seus primórdios ao avivamento da rua Azuza. Segundo a história dessa igreja, foi em Chicago que Luís Francescon recebeu a experiência pentecostal do batismo com o Espírito Santo, e então ele e um companheiro partiram para o Brasil em 1909. O resultado dessa viagem foi o estabelecimento da Congregação Cristã no Brasil, destinada a tornar-se a segunda maior igreja evangélica do Brasil.

Na Argentina, a Igreja Assembleia de Deus começou mais ou menos no mesmo tempo, e embora muito menor que a Assembleia de Deus no Brasil, é hoje uma das maiores denominações pentecostais naquele país.

As notícias do avivamento ocorrido na rua Azuza, em 1906, sem demora atingiram diferentes regiões do mundo, estendendo-se até a Índia. O pastor William C. Hoover, ministro da Igreja Metodista que trabalhava no Chile, recebeu uma carta de um conhecido seu que trabalhava na Índia, através da qual explicava os efeitos da experiência pentecostal na vida de muitos conhecidos seus num posto missionário na Índia. Por essa razão, Hoover assistiu um culto numa igreja em Chicago, onde teve a experiência do batismo com o Espírito Santo. Através dele as chamas do fogo do Espírito Santo foram lançadas nos campos do Chile.

Local considerado o pontapé inicial do Pentecostalismo / Fonte: Google Images

Outros exemplos revelam começos semelhantes entre igrejas pentecostais da América Latina, o que resultou numa nova dimensão da expansão da Igreja. Estas igrejas têm se antecipado ao tempo e ao progresso, de sorte que hoje, onde chega o progresso através de estradas, escolas e comunicações, aí há sempre uma igreja pentecostal saudando-os bem vindos.

Já muito cedo na história do Brasil, temos notícia de pessoas evangélicas aqui. Pelo ano de 1530, por exemplo, vivia em São Vicente, Estado de São Paulo, um escrivão chamado Heliodoro Hessus, filho de Eobano Hessus, amigo de Martinho Lutero. Mais conhecido ainda tornou-se o nome de Hans Staden, um luterano amigo de Hessen que, pelo ano de 1550, viveu por algum tempo no Brasil. Tais notícias foram confirmadas pelo padre José de Anchieta que relata ter encontrado em São Vicente defensores de ideias luteranas.

Chegada dos Huguenotes no Rio de Janeiro
O vice-almirante francês Nicolau Durand de Villegaigon, ouvindo falar das maravilhas das terras do Brasil, recém-descobertas, com o apoio do almirante Gaspar de Coligny, conseguiu de Henrique II – rei da França, dois navios equipados com víveres e, munido de artilharia, partiu em rumo às terras que tanto ambicionava.

Nessa expedição, Villegaigon não teve o devido cuidado na seleção dos homens que o acompanharam, o que resultou numa grande conspiração dos seus homens contra o vice-almirante. Debelada a conspiração, 16 dos conspiradores foram executados.

Informado do parcial fracasso da expedição chefiada pelo seu protegido, o próprio almirante Coligny, arregimentou e chefiou a segunda expedição formada por 300 homens e mais três navios. Entre os tripulantes dos três navios, haviam 14 cristãos huguenotes de renome, chefiados por Filipe de Gorguilarai. Haviam também dois pastores: Pierre Richier e Guilhaume Chartier. Outros cristãos que integravam a comissão dos catorze: Pierre Bourdon, Mathieu Varneuil, Jean du Bordel, André La-Fon, Nicolas Denis, Jean de Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmau, Jacques Rosseau, e o historiador da expedição, Jean de Leri.

Após quatro meses de viagem da França ao Brasil, a expedição chegou ao porto do Rio de Janeiro no dia 7 de Março de 1557. Villegaigon recebeu festivamente os cristãos, pois estes mereciam sua confiança e neles estava a esperança de êxito da conquista desta parte da América.

O Primeiro Culto Realizado no Brasil
O desembarque dos huguenotes deu-se no dia 10 de Março de 1557 e no mesmo dia realizou-se o primeiro culto em terras brasileiras. Dirigiu o culto, o pastor Pierre Richier, que pregou baseado no versículo 4 do Salmo 27. Na ocasião foi cantado o Salmo 5. Onze dias depois, ou seja, no dia 21 de Março de 1557 domingo, organizou-se a primeira Igreja Evangélica do Brasil, oportunidade que foi aproveitada para celebração da Ceia do Senhor.

O vice-almirante Villegaigon foi o primeiro a participar da Ceia do Senhor, entretanto, mais tarde traiu e perseguiu os cristãos. Por sua ordem foram executados Jean du Bourdel, Mathieu Varneuil e Pierre Bourdon. Por esta ação, os historiadores passaram a chamá-lo de “Caim da América”. Também no dia 20 de Janeiro de 1567, quando eram lançados os fundamentos da cidade do Rio de Janeiro, por ordem de Mem de Sá, com a assistência do Padre José de Anchieta, foi executado Jacques le Balleur, cristão chegado ao Brasil na Expedição chefiada por Villegaigon.

Igreja Luterana
A primeira Igreja Luterana chegou ao Brasil com os alemães que emigraram para o Sul do Brasil, por volta de 1800. Representando o tipo de Protestantismo confessional, era um ramo excluído da igreja oficial da Alemanha.

Os nascidos nas igrejas luteranas são batizados na infância.

Durante quase sessenta e cinco anos, os cultos das igrejas luteranas foram celebrados em alemão. Porém, nestes últimos anos, passaram a ser efetuados também em português. Muitas igrejas estão abandonando o idioma alemão nos seus cultos.

Extensão da Igreja Luterana no Brasil
Os luteranos alemães dividem-se em três sínodos: o sínodo do Rio Grande do Sul, que abrange a parte meridional de Santa Catarina e todo o Estado do Rio Grande do Sul; o de Santa Catarina e Paraná, e o sínodo do Brasil Central, que inclui o Rio de Janeiro, Petrópolis, Nova Friburgo, Belo Horizonte, Teófilo Otoni, Juiz de Fora, São Paulo, Rio Claro, Santos e Campinas.

Até 1945, a maioria dos pastores provinha da Alemanha, porém, a partir desse ano o elemento brasileiro da Igreja, tomou a iniciativa de ter um ministério nacional. Daí resultou o estabelecimento, em 1946, de um seminário em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, para preparar luteranos brasileiros para o pastorado das igrejas.

Administração e Constituição da Igreja Luterana
Os órgãos administrativos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), estão assim distribuídos:

a. Concílio Eclesiástico,
b. Conselho Diretor,
c. Presidente da Igreja, eleito pelo Concílio Eclesiástico a cada oito anos.

A nova constituição da Igreja Luterana prevê quatro unidades eclesiásticas:

1. A Paróquia, composta de uma ou mais comunidades;
2. O Distrito Paroquial, composto de determinado número de Paróquias;
3. A Região Eclesiástica, sobre cujo número e delimitação decide o Concílio Eclesiástico;
4. A Igreja.

Simultaneamente com a centralização, a constituição da Igreja Luterana prevê uma descentralização. As diferentes regiões onde se encontram as paróquias, são presididas por um pastor superintendente, de tempo integral, que exerce a função de guia espiritual não só em virtude de sua eleição pelo Concílio Regional, mas, simultaneamente, em nome do Conselho Diretor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, devendo ser pessoa de confiança do mesmo.

Igreja Metodista
Os metodistas marcaram o início de sua obra no Brasil, em 1835, quando o Rev. Fountain E. Pitts foi enviado à América do Sul em viagem missionária, e como observador, nas principais cidades do continente.

Primeiros Esforços Missionários Metodistas
Em março de 1836, o Rev. Justin Spaulding foi designado como o primeiro missionário metodista ao Brasil. Seus esforços iniciais na implantação de igrejas foram encorajadores de grande êxito. Assim sendo, escreveu à sede de sua missão na América, pedindo reforço missionário. Foi então que em 1837, o Rev. D. P. Kidder, que possuía um pouco de conhecimento da nossa língua, veio ao Brasil, viajando por vários Estados como colportor, visitando São Paulo, Bahia, Pernambuco e Pará. Em 1840, faleceu sua esposa. Em 1841, Justin voltou aos Estados Unidos, em companhia de um filho menor. Tinham esgotados os fundos missionários.

Extensão da Obra Metodista no Brasil
Os metodistas do Sul dos Estados Unidos, após sofrerem os anos difíceis da Guerra Civil, conseguiram em 1874, comissionarem J. Newman na qualidade de missionário episcopal metodista do Sul, para o Brasil. Em 1876 foi enviado o Rev. J. J. Ranson, do Concílio de Tennessee, também como missionário metodista ao Brasil. Trabalhou no Rio de Janeiro, São Paulo e Piracicaba até 1886.

Em 1886, o Bispo Granbery, um dos líderes do metodismo na América, fez uma famosa visita ao Brasil. Nessa época haviam três casais de missionários trabalhando no Brasil. A missão já contava então com sete igrejas organizadas, seis pregadores brasileiros, três missionários (pregadores itinerantes), 219 membros comungantes, 164 alunos da Escola Dominical e três prédios, onde funcionavam as igrejas.

Em 1930, a Igreja Metodista do Brasil foi organizada com sua própria constituição e estatutos, e com um plano de cooperação entre a Igreja Metodista do Brasil e a Igreja Metodista dos Estados Unidos.

A obra missionária metodista localizou-se nos maiores centros urbanos do Brasil, por exemplo: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Juiz de Fora, Piracicaba, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Brasília. Historicamente, a Igreja Metodista tem sido agente de uma grande expansão, onde quer que se tenha organizado, contudo ela tem sofrido limitações, pelo fato de ainda não ter adquirido uma visão nacional da obra, se deixando levar muito pela influência missionária estrangeira do princípio.

Igreja Batista
O primeiro pregador batista a trabalhar no Brasil, foi um missionário norte-americano que chegou ao Rio de Janeiro em 1859, mas que por problemas de saúde se viu forçado a voltar à sua pátria em 1861.

O segundo esforço batista em terras brasileiras se deu entre colonos norte-americanos, que viviam em Santa Bárbara, próximo a Campinas, Estado de São Paulo. Dentre esses colonos, um grupo de batistas fundou a 10 de Setembro de 1871 a Igreja Batista de Santa Bárbara. Uma segunda igreja foi fundada em janeiro de 1879. Os ofícios do culto eram celebrados em inglês – a língua dos colonos, limitando-o portanto, aos próprios colonos. Não demorou para que essas igrejas deixassem de existir.

Primeiros Missionários Batistas no Brasil
Embora a primitiva Igreja Batista de Santa Bárbara não fosse uma igreja missionária, ela manifestou ideal missionário, e provou isto quando em carta escrita à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, apelava no sentido de que fossem enviados missionários ao Brasil. Foi assim que o primeiro casal de missionários, William Bagby e Ann Luther Bagby, foi enviado a trabalhar no Brasil.

Chegando no Rio de Janeiro, William e Ann seguiram de imediato para Santa Bárbara, onde, com a ajuda do ex-padre católico Antônio Teixeira Albuquerque, então convertido ao Evangelho, adquiriram as primeiras noções de português e bastante informação sobre a gente e costumes do Brasil. Menos de um ano depois, chega a Santa Bárbara outro casal missionário batista, Zachary e Kate Taylor. Bagby e Taylor logo empreenderam uma longa viagem pelo interior do Brasil, a procura de melhor lugar onde fincar as primeiras estacas da obra batista em nossa pátria.

Fundação da Primeira Igreja Batista Brasileira
Após visitar diferentes regiões do Brasil, e após demorado período de oração, Bagby e Taylor, decidiram-se pela cidade de Salvador, capital da Bahia, onde com cinco membros fundadores, William e Ann Bagby, Zachary e Kate Taylor, e Antonio Teixeira de Albuquerque, em 15 de outubro de 1882 organizaram a Primeira Igreja Batista da Bahia, portanto, a primeira Igreja Batista brasileira.

Igreja Presbiteriana
Ashbel Green Simonton, enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América do Norte, chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859. Na chegada, Simonton pregou nos barcos da baía, e fez amigos entre colonos norte-americanos e ingleses do Rio de Janeiro. Oito meses após sua chegada, a 12 de abril de 1860, organizou uma Escola Dominical com a assistência de apenas cinco crianças. Em maio de 1861, Simonton deu início à sua primeira série de sermões e a 12 de janeiro de 1862 recebeu duas pessoas por profissão de fé, como os primeiros membros da Igreja Presbiteriana em solo brasileiro. Nesta data, Simonton deu por fundada a Igreja Presbiteriana no Brasil.

Simonton / Fonte: Wikipedia

Qualidades de Simonton
O diário do Rev. Simonton, que se encontra na Biblioteca da Comissão de Relações Ecumênicas de Nova Iorque, o apresenta como um homem de qualidade afável, portador de dons incomuns, de coração e espírito inflamado pelo zelo evangélico, e de denodado amor pelos brasileiros. Após mais de dez anos de frutífero ministério no Brasil, Simonton contraiu a febre amarela, vindo a falecer aos trinta e quatro anos de idade.

Alexandre Blackford
Alexandre Blackford, cunhado de Simonton, viera para ajudar na obra, chegando ao Brasil a 25 de abril de 1860. Cooperou com Simonton no Rio de Janeiro, de onde partiu para o Estado de São Paulo para aí fundar igrejas. Deus abençoou o seu trabalho. Blackford viu organizarem-se três igrejas, antes de voltar para o Rio de Janeiro, a fim de assumir o pastorado da Igreja Presbiteriana, após a morte de Simonton.

Outros missionários vieram ajudar, cooperando com o pequeno grupo de fundadores de igrejas. Entre esses se destacaram, Schneider e Chamberlain. Nesse período, fundaram-se igrejas no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia, em Pernambuco e em Minas Gerais.

Dificuldades e Divisões
De 1883 a 1903, a Igreja Presbiteriana teve um período de dificuldades e divisão, dificuldades assinaladas pela morte de valorosos missionários que serviam à causa no Brasil. Foram eles: George Thompson, J. W. Dabney, Carrie Cunningham, Pinkerton e James Dick, todos com menos de trinta e cinco anos de idade.

A primeira e principal divisão sofrida pela Igreja Presbiteriana, deveu-se principalmente à campanha feita pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, para a remoção de missionários estrangeiros dos Presbitérios e do Sínodo da Igreja, após 1888. Em 1889, a questão da Maçonaria veio juntar-se à controvérsia. Iniciou-se o debate quando um leigo, o Dr. Nicolau Soares do Couto Esher, afirmou que os cristãos tinham liberdade de manter suas relações com a Maçonaria. O Rev. Eduardo Carlos Pereira assumiu posição oposta. Daí resultou uma controvérsia cada vez mais crescente na nova igreja, que culminou com a divisão no seio da Igreja Presbiteriana, formando-se a Igreja Presbiteriana Independente.

A Igreja Assembleia de Deus
Os historiadores que se ocupam com o estudo do avivamento pentecostal do nosso século, são unânimes em mencionar Azuza Street (Rua Azuza), cidade de Los Angeles, estado da Califórnia, Estados Unidos, como o centro irradiador de onde aquele despertamento se espalhou por outras cidades e nações.

Dentre as grandes cidades americanas que foram visitadas pela influência do avivamento pentecostal, destaca-se a cidade de Chicago. Enquanto o avivamento conquistava terreno e dominava a vida religiosa da cidade, fatos de alta importância estavam acontecendo também nas cidades vizinhas, entre dois jovens, que ficaram intimamente ligados à história da Assembleia de Deus no Brasil. São eles: Gunnar Vingren e Daniel Berg.

Daniel Berg e Gunnar Vingren / Fonte: pleno.news

Gunnar Vingren
Em Menomiee, Michigan, morava um jovem pastor batista, que se chamava Gunnar Vingren, nascido em Ostra Husby, Ostergöthand, Suécia, em 8 de agosto de 1879. Atraído pelos acontecimentos de avivamento em Chicago, Vingren foi a essa cidade, a fim de certificar-se da verdade. Ante a demonstração do poder divino testemunhado, o jovem pastor creu e foi batizado com o Espírito Santo.

O Encontro com Daniel Berg
Pouco tempo depois, Gunnar Vingren participava de uma convenção de igrejas batistas, em Chicago, onde conheceu outro jovem que se chamava Daniel Berg que também fora batizado com o Espírito Santo. Daniel Berg nasceu na aldeia de Vargön, na Suécia, onde viveu até a idade de dezessete anos. Os dois jovens trocaram ideias e chegaram à feliz conclusão de que Deus os guiava para a obra missionária; restava saber onde.

Algum tempo depois, Daniel Berg foi visitar Gunnar Vingren. Nessa ocasião, em uma reunião de oração na casa de um irmão de nome Adolpho Ulldin, através de uma mensagem profética, Deus falou ao coração de Gunnar Vingren e Daniel Berg, que partissem a pregar o Evangelho em terras distantes. O lugar para onde deviam seguir foi mencionado na profecia, como sendo o Pará. Eles não sabiam onde ficava essa região, mas após consultarem mapas, verificaram que se tratava do Brasil.

Rumo ao Brasil
Gunnar Vingren e Daniel Berg, despediram-se da Igreja e dos irmãos em Chicago, e com uma pequena ajuda financeira e orações de irmãos e amigos, a bordo do navio Clement, partiram a 5 de novembro de 1910, da cidade de Nova Iorque, para Belém do Pará. Quatorze dias depois, isto é, a 19 de novembro do mesmo ano, os dois missionários desembarcaram na cidade de Belém. Não possuíam eles amigos ou conhecidos nessa cidade. Não traziam endereço de alguém que os encaminhasse a algum lugar. Vinham encomendados unicamente à graça de Deus, e tinham a protegê-los o Deus de Abraão. Sentados num banco da atual Praça da República, em Belém, fizeram a primeira oração em terras brasileiras.

Chegada ao Brasil
Por insistência de alguns passageiros com os quais viajaram, Gunnar Vingren e Daniel Berg hospedaram-se num modesto hotel, cuja diária completa era, na época, 8.000 réis. Em uma das mesas do hotel o irmão Vingren encontrou uma revista que tinha o endereço do pastor metodista Justus Nelson. No outro dia procuraram esse pastor, e, graças à sua ajuda, Vingren e Berg foram levados à Igreja Batista de Belém, quando foram apresentados ao responsável pelo trabalho, evangelista Raimundo Nobre. Logo os missionários passaram a residir numa das dependências do templo daquela igreja.

No mês de maio de 1911, mais ou menos seis meses após a chegada de Vingren e Berg ao Brasil, falando um português de nível regular, Vingren teve a sua primeira oportunidade de dirigir um culto a pedido dos diáconos da Igreja Batista. Vingren leu alguns versículos que tratavam da obra do Espírito Santo no crente, enquanto que os diáconos abriam suas Bíblias para conferir se o que Vingren lia estava correto. Aparentemente eles ficaram contentes com o que Vingren dizia, de sorte que convidaram-no a continuar dirigindo os cultos das noites seguintes, durante uma semana. Pela maneira extraordinária com que Deus operou, ao longo daquela semana, batizando com o Espírito Santo e curando enfermos, Vingren foi advertido. Quanto a isto escreve o próprio Gunnar Vingren:

Todos os demais que tinham vindo da Igreja Batista creram então que isto era uma obra de Deus, todos menos dois, o evangelista Raimundo Nobre e a mulher de um diácono… Na terça-feira seguinte ele (Raimundo) convocou os membros da igreja para um culto extraordinário e não permitiu que o pastor falasse. Ele (o evangelista) somente disse: ‘Todos os que estão de acordo com a nova seita, levantem-se’. Dezoito irmãos levantaram-se e foram imediatamente cortados da comunhão da igreja. Estes dezoito irmãos saíram então da Igreja Batista para nunca mais voltar. Isto aconteceu no dia 13 de junho de 1911.” (Gunnar Vingren, DIÁRIO DO PIONEIRO, p. 33).

Consumada a exclusão, o pequeno grupo de dezoito irmãos, convidou os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg para dar-lhes a necessária orientação espiritual naqueles momentos decisivos da vida. Foi assim que, juntos, no dia 18 de junho de 1911, à rua Siqueira Mendes, 67, na cidade de Belém, deu-se a fundação da Assembleia de Deus no Brasil.

Repercutiram profundamente entre as várias denominações evangélicas, os acontecimentos que culminaram com a fundação da Assembleia de Deus. Essas denominações se uniram para combater o Movimento Pentecostal. Quem ler os livros “Gunnar Vingren, O Diário do Pioneiro” e “Enviado por Deus – Memórias de Daniel Berg”, há de conscientizar-se que duras e injustas foram as perseguições e injúrias sofridas pela Assembleia de Deus no princípio. Perseguições injustas mas nem sempre inúteis.

Progresso no Interior do Estado
Não obstante as perseguições e dificuldades sofridas, as boas novas do Evangelho e o ardor pentecostal, espalhavam-se pelo interior do Estado do Pará com tanta rapidez, como se fossem conduzidos por asas de anjos velozes.

Fortes trabalhos surgiram da noite para o dia aqui e ali, numa demonstração incontestável de que essa obra nascera do rio das intenções de Deus. Enquanto Gunnar Vingren concentrava maior parte de seus esforços com a obra em Belém, Daniel Berg, com infatigável labor, visitava o interior do Estado, distribuindo exemplares das Sagradas Escrituras e pregando o Evangelho transformador.

Separados os Primeiros Pastores
Antes do trabalho haver completado dois anos, a falta de obreiros já era sentida em várias localidades onde se íam estabelecer igrejas e congregações. Foi assim que, por orientação divina, o missionário Gunnar Vingren separou no mês de fevereiro de 1913, Absalão Piano, como o primeiro pastor da Assembleia de Deus no Brasil. O segundo foi Isidoro Filho, o terceiro, Crispiniano de Melo, o quarto, Pedro Trajano, e o quinto Adriano Nobre.

O Espírito Missionário da Igreja
Haviam passado apenas dois anos desde que a Assembleia de Deus iniciara suas atividades, e já iniciava as suas atividades missionárias, enviando, a 4 de abril de 1913, o pastor José Plácido da Costa como missionário a Portugal. Era a primeira demonstração viva e prática do espírito missionário ao estrangeiro, de uma igreja que contava apenas dois anos de organização.

A Chegada de Reforços
A partir de 1914 outros missionários foram chegando a Belém. Nesse ano chegou o missionário Otto Nelson. Em 1916 chegou Samuel Nystron. No dia 21 de março de 1921, chegou a Belém, vindo da América do Norte, o missionário Nelson. Muitos obreiros nacionais de indescritível valor, surgiram nessa época, os quais fizeram da cidade de Belém o ponto catalizador de esforços para expansão da Assembleia de Deus e do movimento pentecostal em todo o Brasil.

Expansão da Assembleia de Deus
Quando Gunnar Vingren deixou Belém, no mês de abril de 1924, de mudança para o Rio de Janeiro, a Assembleia de Deus já era uma realidade presente nas principais cidades do interior do Pará e em algumas capitais de Estados e Territórios brasileiros.

Fonte: História da Igreja, Dos Primórdios à Atualidade. Autor: Raimundo Ferreira de Oliveira. Adaptado para o curso da EETAD.
* Texto originalmente publicado no antigo site Protestantismo em Agosto de 2008.

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