O Protestantismo Norte Americano (EETAD)

O Cristianismo na América procedeu do Velho Mundo. Na América do Norte, para cuja colonização várias raças contribuíram, ainda que um só tipo de Cristianismo tenha dominado no começo colonial, o resultado era a enorme variedade de modos de expressá-lo, e uma necessária tolerância mútua, que muito contribuiu para o surgimento de plena liberdade religiosa.

Ali, onde o contato entre esses vários tipos de igrejas tem sido constante, o princípio da independência quanto ao controle do Estado, domina desde o movimento separatista nacional. Ali é bem diferente o sistema de governo eclesiástico em relação às normas europeias, o que permite à Igreja na América do Norte possuir uma espécie de governo com modelo propriamente americano.

Diversas igrejas europeias cedo lançaram suas raízes no solo americano, com total Êxito quanto às dificuldades de transplantação. O Cristianismo americano pode ser visto como parte integrante do desenvolvimento religioso da cristandade europeia; o cedo aparecimento de seus aspectos “americanos”, o revelam como um movimento inovador da Igreja nos séculos seguintes.

Ao tratar das igrejas na América do Norte, e especialmente nos Estados Unidos, por uma questão de espaço, limitamo-nos a mencionar aquelas consideradas mais importantes, dignas de maior atenção, indo desde a Igreja Católica Romana até a Igreja “Irmãos Unidos em Cristo”.

A Igreja Católica Romana
A primeira Igreja a se estabelecer no continente ocidental, tanto na América do Sul como do Norte, foi a Igreja Católica Romana. Isto, devido as primeiras expedições ao Novo Mundo, com o fim de descobrir, conquistar e colonizar, pertencerem as nações católico-romanas, como Espanha, Portugal e França.

A história desta igreja na América começou no ano de 1494, quando Colombo, em sua segunda viagem, tomou consigo doze sacerdotes para trabalharem na conversão dos nativos nas terras que possivelmente fossem descobertas. Onde quer que os espanhóis fossem para conquistar ou se estabelecer, se faziam acompanhar os seus clérigos, que implantavam seu sistema religioso. As igrejas romanas primitivas dos Estados Unidos situaram-se em Santo Agostinho, na Flórida, e em Santa Fé, no Novo México, fundadas mais ou menos em 1565 e 1600 respectivamente. O método usado pelos espanhóis era o de escravizar os nativos, forçar-lhes à conversão e obrigar-lhes a construir templos e mosteiros semelhantes aos existentes na Espanha. Como resultado da ocupação dos espanhóis, os territórios da Flórida e Califórnia, foram por séculos dominados pela Igreja Católica Romana.

Pouco depois do domínio espanhol no Sul, veio a ocupação francesa no Norte, desde o Rio São Lourenço, na “Nova França”, o atual Canadá. Quebec foi fundada em 1608, e Montreal em 1644. Por algum tempo os imigrantes franceses foram poucos. Em 1663 a população francesa do Canadá contava com apenas duas mil e quinhentas pessoas, mas não demorou para que o número de descendentes de franceses nascidos no Canadá, atingisse um índice maior do que o número daqueles que nasciam na própria França, de maneira que em toda a região do Rio São Lourenço, desde os Grandes Lagos até o Atlântico, era concreta a dominância de franceses católicos, na maioria analfabetos e muito mais submissos aos seus sacerdotes que seus patrícios católicos da França. Grande esforço foi feito no Canadá para que os índios se convertessem à fé católica. Dentre os que se deram a essa causa, destacam-se os jesuítas. Seus métodos eram diferentes dos adotados pelos missionários da América espanhola, pois buscavam ganhar a amizade dos índios por sua amabilidade e abnegação.

Na metade do século XVIII, todo o território do grande Noroeste, além dos montes Alleghenies, estavam debaixo da influência francesa, enquanto que o Sudoeste era dominado pela Espanha, e, sobre todas as possessões a Igreja Católica Romana era suprema. Só numa estreita porção de terra na costa do Atlântico, onde estava algumas colônias inglesas, era protestante. Tudo indicava que os católicos iriam governar todo o Continente. Porém, a conquista britânica do Canadá em 1759, e mais tarde a concessão de Luisiana e Texas aos Estados Unidos, alterou o equilíbrio religioso na América do Norte, tornando-a predominantemente protestante.

As colônias inglesas no litoral do Atlântico eram protestantes, exceto os colonizadores de Maryland, que eram católicos ingleses, cujo culto era proibido em seu próprio país. No Novo Mundo eles conseguiam permissão constitucional para exercer sua fé e celebrar seu culto. Contudo, só no ano de 1790 é que foi consagrado o primeiro bispo católico dos Estados Unidos, para servir em Maryland. Por esse tempo a população católica no país estava calculada em trinta mil.

Um grande período de imigração à América do Norte procedente da Europa, começou pelo ano de 1845. A princípio era na sua maioria católica, e procedia principalmente de condados católicos da Irlanda, mais tarde do sul da Alemanha e da Itália. Do aumento natural por nascimento, por imigração e por uma cuidadosa supervisão sacerdotal, a Igreja Católico-Romana dos Estados Unidos tem atualmente nada menos de cinquenta milhões de comungantes, contudo constituindo-se minoria em relação ao número de adeptos de confissão evangélica.

Protestante Episcopal
A Igreja da Inglaterra foi a primeira igreja protestante a se estabelecer na América do Norte, e o seu primeiro serviço religioso foi celebrado na Califórnia, no ano de 1579 por Francis Drake. Contudo, só em 1607, com a fundação de Jamestown, Virgínia, essa Igreja assumiu forma definitiva. A Igreja da Inglaterra era a única reconhecida no período primitivo da Virgínia, e outras colônias do sul. Quando Nova Iorque, que foi colonizada pelos holandeses, tornou-se território, em 1664, a Igreja da Inglaterra ai foi estabelecida como igreja oficial da colônia, enquanto que outras formas de culto eram permitidas.

A todo clérigo desta igreja era exigido um juramento de lealdade à coroa britânica, e, como resultado natural, quase todos eles foram leais a ela, na guerra da independência. Nessa época, perseguidos, muitos clérigos deixaram o país e, no fim da guerra era difícil achar quem quisesse ocupar as paróquias vazias, principalmente porque o requisito na ordenação que exigia lealdade à Inglaterra, não podia ser satisfeito. Porém, em 1784, o Rev. Samuel Seabury, de Connecticut, recebeu consagração de bispos escoceses, que não exigiam o voto de lealdade à coroa inglesa.

Nos Estados Unidos essa igreja tomou o nome oficial de Igreja Protestante Episcopal, perdendo toda e qualquer ligação com a Igreja da Inglaterra.

Essa igreja reconheceu três ordens no seu ministério: bispos, sacerdotes e diáconos, e aceitou quase todos os trinta e nove artigos da Igreja Inglesa, modificando apenas para adaptá-los ao modelo de governo eclesiástico americano. Sua autoridade legislativa constituiu-se de uma convenção geral que se reúne a cada três anos, e é formada por uma Câmara de bispos, e uma outra de delegados, clérigos e leigos por convenção nas diferentes dioceses.

Congregacionais
Depois da Virgínia sob a Igreja da Inglaterra, a segunda região colonizada foi a Nova Inglaterra. Foi colonizada pelos “Peregrinos”, que chegaram a Plymouth, na Baía de Massachusetts em 1620. Eram “independentes” ou “congregacionais” e formavam o elemento mais radical do movimento puritano inglês, exilados da Inglaterra na Holanda, por causa de suas ideias. Agora buscavam um lugar nas terras do Novo Mundo. Antes de desembarcarem em Plymouth se organizaram como uma verdadeira democracia, com um governador e conselho eleitos por voto popular, ainda que debaixo da bandeira inglesa. A princípio não se separaram da Igreja da Inglaterra, mas se consideravam reformadores dentro do seio da igreja. Eles tinham uma forma de pensar e de adorar a Deus completamente diferente da adotada pela Igreja da Inglaterra, por essa razão foram duramente perseguidos pelas autoridades da dita igreja.

Tinham, como os presbiterianos, um credo fundamentalmente calvinista, diferindo apenas na forma de governo, pois eram congregacionais. Desde 1852 o sistema congregacional tem alcançado um rápido desenvolvimento nos Estados Unidos. Em 1931 a Igreja Congregacional e a Igreja Cristã Congregacional, tinham quase dois milhões e quinhentos mil membros e mais de oito mil igrejas organizadas só nos Estados Unidos.

Igreja Reformada
Nova Iorque, ocupada pelos holandeses em 1613, não chegou a ter uma população de colonos permanentes senão a partir de 1623. A princípio a colônia teve o nome de “Novos Países Baixos”, e “Nova Amsterdam”. A primeira igreja aí organizada foi em 1628, recebendo o nome de Igreja Protestante Reformada Holandesa, e, durante a supremacia holandesa foi a igreja oficial da colônia. Igrejas desta denominação foram estabelecidas ao norte de Nova Jersey e em ambas as margens do Rio Hudson até Albany. Em 1664 a colônia foi tomada pela Inglaterra que lhe deu o nome de Nova Iorque como é conhecida até hoje. Desde aí a Igreja da Inglaterra passou a ser a igreja oficial. Assim, em 1867, a palavra “holandesa” foi omitida de seu título, e passou a ser chamada de Igreja Reformada da América.

As ditas igrejas reformadas têm um mesmo sistema de doutrina calvinista, e têm uma organização governamental parecida com o presbiterianismo, porém, com diferentes nomes para o seu corpo eclesiástico. A junta governante da igreja local é formada por um consistório. Os consistórios juntos formam um conselho; os conselhos de um distrito estão unidos em um sínodo particular, e estes em um sínodo geral.

Igreja Batista
Os batistas surgiram pouco depois do começo do século da Reforma, na Suíça, em 1623, e se espalharam rapidamente ao norte da Alemanha e da Holanda. Na América do Norte, chegaram com Roger Williams, um clérigo da igreja da Inglaterra, que vindo à Nova Inglaterra, foi expulso de Massachusetts porque se recusou aceitar regras e opiniões congregacionalistas. Fundou a colônia de Rhode Island em 1644, de onde os batistas se espalharam por todas as partes do continente.

A Igreja Batista dos Estados Unidos é congregacional em seu sistema. Cada igreja é absolutamente independente de toda a jurisdição exterior e fixa suas próprias normas para os membros.

Foram os batistas da Inglaterra que formaram a primeira sociedade missionária moderna em 1792, e enviaram Guilherme Carey como missionário à Índia. A adoção das ideias batistas por Adoniram Judson e Lutero Rice, que foram enviados missionários à Birmânia, motivou a organização da Convenção Geral Missionária Batista em 1814, e desde esse tempo os batistas estão na vanguarda com um esforço missionário marcado pelo êxito.

Sociedade dos Amigos
De todos os movimentos que surgiram da Grande Reforma, quem mais combateu as formas de governo da igreja, foi sem dúvida a “Sociedade dos Amigos”, comumente chamada “Quakers”. Esta sociedade, formada por seguidores dos ensinos de George Fox, na Inglaterra, nunca tomou o nome de igreja. Fox se opunha às formas exteriores da igreja, o ritual e sua organização. Ensinava que o batismo e a comunhão deviam ser espirituais e não formais; que as sociedades cristãs não deviam ter sacerdotes nem ministros, mas que qualquer adorador devia falar segundo fosse inspirado pelo Espírito Santo, que é a “luz interior” e guia a todos os verdadeiros crentes. Ensinavam também que os homens e mulheres deviam ter os mesmos privilégios. Seus seguidores, a princípio chamavam a si mesmos “Filhos da Luz”, porém, mais tarde, passaram ao título “Sociedade dos Amigos”.

Os ensinos de George Fox foram aceitos por multidões que não simpatizavam com o espírito dogmático e intolerante manifestado pela igreja da Inglaterra daquele tempo. Perseguidos, buscavam refúgio na Nova Inglaterra, onde encontraram os puritanos não menos dispostos que a Igreja da Inglaterra a persegui-los. Pelo menos quatro deles – entre estes uma mulher – foram executados em Boston.

“Os Amigo” encontraram lugar seguro em Rhode Island, onde todas as formas de culto eram permitidas. Daí formaram colônias em Nova Jersey, Maryland e Virgínia. Em 1681, o território da Pennsylvania foi doado a Guilherme Penn, um dos líderes dos “Amigos”, pelo Rei Carlos II. Filadélfia foi fundada em 1682.

A escravidão existia em todas as colônias, menos entre “Os Amigos”. Se interessavam profundamente e se esforçavam pela cristianização e civilização dos índios americanos; em visitar os presos nos cárceres, e em outras atividades filantrópicas. Muitas formas de trabalho que agora são importantes, foram iniciadas e sustentadas pelos Quakers, muito antes que fossem consideradas por outros como uma obra legítima da Igreja.

Talvez em razão da falta de um sistema de governo estável, os Quakers têm se dividido em diferentes ramos, na maioria das vezes por questões de doutrina.

Luteranos
Em 1638, alguns luteranos suecos se estabeleceram perto do rio Delaware, organizaram a primeira Igreja Luterana da América do Norte, perto de Lewes. Porém, a imigração sueca cessou até o século seguinte. Em 1710 uma colônia de luteranos procedentes da Alemanha fixou-se em Nova Iorque e Pennsylvania, onde também fundaram igrejas. Desde ai milhares de protestantes procedentes da Alemanha e Suécia começaram a chegar, e em 1748 reunia-se o primeiro Sínodo Luterano em Filadélfia.

Os luteranos na América, hoje, acham-se organizados em pelo menos quinze ramos diferentes e independentes. Como Lutero, aceitam a doutrina da justificação pela fé; crêem na ordenança do batismo e Ceia do Senhor, não só como um memorial, mas também como meio de graça divina. Estão organizados em sínodos que por sua vez formam um sínodo geral, porém reservando muita autoridade para as igrejas locais.

Igreja Presbiteriana
As igrejas presbiterianas da América do Norte surgiram de duas fontes: Igreja Presbiteriana da Escócia, e movimento puritano da Inglaterra.

Na Nova Inglaterra os imigrantes presbiterianos em sua maioria, uniram-se às igrejas congregacionais, enquanto que nas outras colônias organizaram igrejas com modelo próprio. Uma das primeiras igrejas presbiterianas na América foi formada em Snow Hill, Maryland, em 1648. Em 1705, Francisco Makemie e outros ministros presbiterianos reuniram-se em Filadélfia, fizeram junção das igrejas num só presbitério e, logo organizaram um sínodo.

Na definição doutrinária desta igreja, porém, evidenciou-se quão diferentes eram entre si os elementos ingleses, escoceses e irlandeses, os quais haviam contribuído para a sua formação em terras da América. Por essa razão houve então divisões no sínodo e presbitérios. Um desses resultados foi a organização da Igreja Presbiteriana de Cumberland em 1810, em Tennessee, de onde estendeu-se a outros Estados vizinhos, até os mais distantes Estados do Texas e Missouri. Em 1837, houve uma nova divisão por questões doutrinárias entre os elementos conhecidos, respectivamente, como Antiga e Nova Escola Presbiteriana. Só depois de quarenta anos de separação, quando as diferenças haviam se dissipado, é que voltaram a se unir.

Há pelo menos dez diferentes ramos do presbiterianismo nos Estados Unidos. Todos adotam a doutrina calvinista. A igreja local é governada por uma junta composta do pastor e anciãos. As igrejas estão unidas em presbitérios e estes, em sínodo. Acima de todos, está a Assembléia Geral, que se reúne cada ano. Porém, as mudanças importantes no governo ou na doutrina, requerem a ratificação por uma maioria constitucional dos presbíteros, a serem aprovados pela Assembléia Geral, para serem então considerados.

Igreja Metodista
As igrejas metodistas existem na América desde 1766, quando os primeiros pregadores wesleyanos ali chegaram. Constatando que a América era um campo promissor, em 1769, João Wesley enviou dois missionários: Ricardo Broadman e Thomas Pilmoor para sondarem ali a possibilidade de iniciar um trabalho. Mais sete pregadores foram enviados mais tarde à América entre os quais se destacava Francisco Asbury.

A primeira conferência metodista nas colônias foi celebrada em 1773, sob a presidência de Thomas Rankin. A igreja vinha experimentando desenvolvimento satisfatório sob a liderança de denodados pregadores. Porém, ao irromper a guerra da independência, todos, exceto Asbury, deixaram o país, até que a paz foi restabelecida em 1783.

Como as igrejas metodistas da América estavam nominalmente ligadas à Igreja da Inglaterra, Wesley se empenhou por convencer o bispo de Londres a que consagrasse um bispo para a América do Norte. Vendo que seus esforços eram em vão, separou o Rev. Thomas Cook, um clérigo da Igreja Inglesa, como “Superintendente” das igrejas metodistas na América do Norte. Assim, numa conferência de ministros metodistas em Baltimore, em 1784, a Igreja Metodista Episcopal foi organizada.

A Igreja “Irmãos Unidos em Cristo”
A Igreja “Irmãos Unidos em Cristo”, trazida do Velho Mundo para a América, organizou-se na Pennsylvania e em Maryland, como resultado da pregação cheia de poder do Espírito, de dois homens: Felipe Guilherme Otterbein, originalmente um ministro da Igreja Reformada Alemã, e Martinho Boehn, um menonita.

Em 1767 Otterbein e Boehn se viram pela primeira vez numa reunião perto de Lancaster, Pennsylvania, quando o senhor Boehn pregou com extraordinário poder. No final do sermão, o corpulento senhor Otterbein abraçou o pregador e exclamou: “Somos irmãos”. Desta saudação originou-se o nome oficial da igreja, que teve sua instituição formal como igreja, no condado de Fredrick, Maryland, em 1800. Nesse tempo Otterbein e Boehn foram eleitos bispos e formaram um governo sobre a igreja, modelado pela democracia americana. Ainda que sua forma de governo seja diferente da exercida pela Igreja Metodista, pregam a mesma teologia arminiana.

Depois de vários anos de discussão, em 1889 essa igreja sofreu uma divisão. Uma maioria favorecia uma revisão constitucional da igreja concernente aos que pertenciam a sociedades secretas, como a maçonaria. Os “radicais” formaram uma nova igreja, enquanto que os “liberais” reagiram, tomando posse de todas as propriedades da igreja, exceto em Michigan e Oregon. Ambos os ramos da igreja mantinham o nome de “Irmãos Unidos”.

A Igreja dos “Irmãos”
Diferente das outras igrejas já mencionadas nesta Lição, a Igreja dos “Irmãos” (um terceiro ramo da Igreja “Irmãos Unidos em Cristo”) foi tipicamente norte-americana desde a sua origem. Começou sua história em 1804, depois de um grande despertamento religioso no Tennessee e em Kentucky, quando o Rev. Barton W. Stone, um ministro presbiteriano, se desligou da sua denominação e organizou uma igreja em Cane Ridge, Condado de Bourbon, da qual a Bíblia seria a única regra de fé, e, o seu único nome seria, Igreja Cristã. Poucos anos depois o Rev. Alexandre Campbell um ministro presbiteriano da Irlanda, adotou o batismo por imersão, e formou uma igreja, chamando os seus seguidores de Discípulos de Cristo. Tanto Stone como Campbell estabeleceram muitas igrejas. Em 1827 suas congregações se uniram formando uma só igreja, na qual ambos os nomes “Discípulos” e “Cristãos” foram reconhecidos.

Aceitam tanto o Antigo como o Novo Testamento, como única regra de fé e prática. Praticam o batismo por imersão e o ministram apenas aos adultos. São congregacionalistas na sua forma de governo. Cada igreja é independente, porém, unidas como denominação para a obra missionária nacional e estrangeira. Seu ministério é formado por anciãos escolhidos pelas igrejas, pastores, diáconos e evangelistas.

A Igreja Assembleia de Deus
A Igreja Assembleia de Deus surgiu como resultado de um movimento religioso que teve sua origem no princípio deste século, e se espalhou em seguida, com rapidez, por todo o mundo.

Em virtude de uma intensa sede espiritual, no final do século passado, crentes de diferentes denominações levaram a efeito sucessivas e demoradas reuniões de oração na busca de um avivamento. Como resultado das atividades desses crentes, surgiram avivamentos em diferentes lugares dos Estados Unidos e Europa. Caracterizava esses avivamentos um intenso fervor evangelístico e sede espiritual revelada em muita oração. Dava-se também ênfase à operação dos dons espirituais, inclusive cura divina para o corpo, e o falar em outras línguas, como sinal da recepção do batismo com o Espírito Santo. Predominava ainda um zelo missionário baseado na profunda convicção relativa à iminente volta do Senhor Jesus Cristo.

A origem do Movimento Pentecostal não se pode atribuir a determinada pessoa, pois existem evidências de derramamentos simultâneos do Espírito Santo em diferentes lugares do globo. Um ministro evangélico, chamado Daniel Awrey, recebeu o Batismo com o Espírito Santo em janeiro de 1890, na cidade de Delaware, Estado de Ohio. Um grupo de crentes pentecostais realizou uma convenção em 1897, na Nova Inglaterra. Mais ou menos na mesma época ocorreu um avivamento no Estado da Carolina do Norte. Em 1900 surgiu um avivamento pentecostal entre um grupo de crentes de nacionalidade sueca na cidade de Moorhead, Estado de Minnesota.

Pequenos grupos de obreiros cristãos, procedentes de um avivamento na cidade de Topeka, Estado de Kansas, no ano de 1901, foram até Oklahoma e, posteriormente, ao Texas, levando a mensagem pentecostal. Foi assim que surgiram muitas igrejas, as quais mais tarde formaram o Conselho Geral das Assembleias de Deus, nos Estados Unidos.

A mensagem pentecostal se espalhou com tanta rapidez que recebeu o nome de “movimento”. O termo “Movimento Pentecostal” passou a designar a todos os grupos que buscavam o batismo com o Espírito Santo, acompanhado do falar em línguas, segundo a inspiração divina. O movimento se espalhou de forma tão veloz, que dentro de poucos anos já lançava suas bases em países como Canadá, Chile, Brasil, Índia, Noruega e Ilhas Britânicas.

Em virtude do movimento pentecostal ter sido formado originalmente por crentes vindos de diferentes denominações, portanto possuidores de diferentes pontos de vista, não demorou aparecer as diferenças de interpretação doutrinária dentro do movimento. Por essa razão, e com o fim de se definir doutrinas e forma de governo a serem adotados pelo movimento, realizou-se na cidade de Hot Springs, Estado de Arkansas, entre 2 e 12 de Abril de 1914, a primeira convenção das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. São passadas décadas desde o lançamento de suas bases, contudo a Igreja Assembleia de Deus nos Estados Unidos, continua se destacando como uma grande força do Cristianismo naquela grande nação. Com milhões de membros, a Assembleia de Deus nos Estados Unidos possui um grande patrimônio, incluindo universidades e institutos bíblicos, faculdades, imóveis, editoras, programas de rádio e TV. Ela é reconhecida como uma das igrejas que mais crescem na América do Norte, e ainda tem uma operosa obra missionária apoiada com o trabalho de muitos missionários espalhados em todos os continentes.

Fonte: História da Igreja, Dos Primórdios à Atualidade. Autor: Raimundo Ferreira de Oliveira. Adaptado para o curso da EETAD.
* Originalmente publicado no antigo site Protestantismo no ano de 2008

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